domingo, 23 de julho de 2017

Dando uma de bacana

A fim de pagar a promessa que eu havia feito quando minha mulher perguntou o que eu achava de, um dia, irmos tomar café em uma padaria, aproveitei um dos 15 dias de férias dela para dar uma de bacana em uma padaria, ou, como está escrito na frente do estabelecimento, casa de pães, perto da estação do metrô Saúde, já que achei a perto da ruazinha onde, quando morava na casa dos pais, a menina dos meus olhos mais me viu sair desesperado para não perder a última condução para Osasco mais convidativa do que a da que tem as mesmas iniciais de meu alter ego, também na Saúde, que ela descobriu na volta do trabalho. Com o dinheiro dos textos que reviso e dos bicos que tenho feito mal dando para pagar as contas, eu não poderia me dar ao luxo de estar em um lugar onde minha situação financeira não me deixa sentir em casa, mas, como eu não devia nada a ninguém, a não ser os favores que os outros me fazem, muitos dos quais impagáveis, não me privei do prazer de levar minha família para, pelo menos, tomar um café fora de cara, especialmente minha mulher, que na correria do dia a dia vai trabalhar sem tomar café. À vontade para pegar o que quisesse, depois de servir às crianças, Priscilla pegou um café expresso, duas ou três fatias de frios e a mesma quantidade de minipães, inclusive de queijo, enquanto, para acompanhar os mesmos pãezinhos e frios, pedi um café com leite e um pão francês com manteiga, ou margarina, na chapa. Como gosto de café queimando a boca, pedi a uma atendente que, por favor, esquentasse o que eu havia pegado. Com nossa casa para comer melancia, Mitsuo, cujo suco de laranja acabou ficando para Amy, que deve ter gostado muito do bolo de chocolate, preferiu a padaria, comendo só um dos dois pedaços que peguei. Sentindo-me Gary Cooper em O Galante Mr. Deeds ou Paul Hogan em Crocodilo Dundee, só fiquei sabendo que não precisava erguer a mão para ser atendido, era só apertar um botão sobre o porta-guardanapos, quando uma atendente trouxe a água que pedi para Mitsuo, da mesma forma que minha mulher só ficou sabendo que não precisava deixar nossa diligência na rua de trás à saída do estabelecimento. A última vez em que eu havia me servido de um café da manhã tão gostoso fora de casa foi no começo do ano, quando, sempre gastando até o último centavo para tentar agradar nossa família, Priscilla aproveitou as férias para passar metade de uma semana em uma pousada em Serra Negra.

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