segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Amy tem a força


Uma das vantagens de quem nasce em dezembro é não precisar fazer conta para saber quantos meses tem, bastando só ver o número do mês em que está. Este é o caso de Amy, que está completando, por exemplo, dez meses exatamente no décimo mês do ano, a esta altura já sabendo para que servem os dentes, só não deixando nenhuma marca no braço de quem a contraria porque ainda não tem muita força. Em compensação, força na peruca (ela já nasceu com os cabelos quase cobrindo os olhos) é o que não lhe falta, como não lhe falta força para tirar os livros e revistas da pequena estante de rodinhas sobre a qual fica minha máquina de escrever, ouvir minhas broncas (com um quarto da idade do Mitsuo, ela já recebeu mais reclamações minhas do que ele em toda a sua vida), agitar os braços e as pernas quando está alegre (outro dia, deu um chute tão violento que fez a colherzinha com a qual eu estava lhe dando papinha ir parar longe) e chorar quando está com fome, quer colinho e andar de cavalinho, brincadeira que faz o irmão dela abrir o berreiro de ciúme, Pena que, na hora em que preciso fazê-la dormir, principalmente quando o trabalho me chama, a força de vontade dela demora a chegar, quando não desaparece.

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