sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Nove meses depois

Engana-se quem pensa que são só as duas surpreendentes idades que tenho que me fazem sentir mais velho. Meus filhos também, tanto que, toda vez que saio com um dos dois, dificilmente volto para casa sem ter ouvido alguém me perguntar se ele é meu neto, ou ela é minha neta (não duvido se um dia acharem que sou o criado da família). Já estou tão acostumado que nem estranho mais a pergunta dos curiosos, que se repetiu ontem mesmo, quando eu estava em uma fila de banco com Amy, que hoje completa nove meses, o mesmo número de meses que ela ficou na barriga da mãe dela. Com esta idade, o irmão dela já estava indo para a creche, dando-me trabalho só na hora de ir levá-lo e buscá-lo. Já Amy, que, para não correr o risco de ficar tão doente quanto Mitsuo ficou, só vai ser levada para a creche no ano que vem, não está com a vida muito difícil. Difícil mesmo está a vida do avô, quer dizer, do pai dela, que ultimamente tem dormido mal pra burro para tentar dar conta de três trabalhos: o doméstico, arrumando as camas, lavando tudo o que chega à pia da cozinha, fazendo comida, faxina e estendendo, pegando e passando roupas; o de cuidador de criança, preparando, dando e lavando mamadeira, trocando fralda, levando o bebê para tomar banho de sol, raspando e amassando frutas, colocando água da mamadeira para ferver, cozinhando verduras e legumes da papinha, pegando a criança no colo (quem disse que choro é só sinal de fome?) e brincando (ufa, não é brinquedo, não!); e o de revisor de textos, afinal, ao contrário do que os vizinhos devem pensar quando passo o dia de pijama, não sou vagabundo, não; apesar de sair de casa só para ir ao mercado e ao banco, também estou a serviço de uma empresa. A esta altura, a menina dos meus olhos já começou a engatinhar, dando não só um grande passo na vida dela, mas também muita preocupação para mim e minha mulher, que temos de estar atentos o tempo todo para ela não derrubar nada, muito menos se ferir e a sofrer com os primeiros sinais de que os dentinhos estão para nascer, mas nem por isso ela tem deixado de sorrir e dado tchauzinho.

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