domingo, 23 de agosto de 2015

Não tem preço

A felicidade, já dizia a versão brasileira para o título do filme do genial diretor estadunidense (na verdade, italiano) Frank Capra It's a Wonderful Life, não se compra, mas a pizza para ver a cara de felicidade de meu filho, sim, tanto que continuo jogando na loteria (pelo menos uma vez por semana, como espera minha mulher) só para um dia não precisar demorar tanto para atender ao pedido de minha família. Ao ver o primeiro dos 10 cupons que minha esposa tem de recortar para ganharmos outra pizza (tudo bem que é meia-boca, mas, a cavalo dado...), pensei: “Meu amor, se antes da crise já era difícil ganhar uma, imagine agora”. Era para eu ter liberado a verba na quinta-feira, quando minha mulher, que já nem se lembrava mais quando havia sido a última vez em que tínhamos comprado uma pizza, me perguntou o que eu achava de comermos uma, mas acabei deixando para o dia seguinte, já que, pensando bem, ela achou melhor pedir mais próximo do fim de semana. Nem bem me disse “Bom dia, pai”, cumprimento que ele ainda não aprendeu que só se diz até metade do dia, meu filho já foi me perguntando onde estava a pizza, deliciosa invenção italiana que em casa só perde para o macarrão porque é cara, embora a que ainda temos pedido custe menos do que a de uma pizzaria para a qual telefonei quando morávamos no endereço anterior (“Mas, minha senhora, eu só quero uma!”) e muito menos do que a de uma famosa rede de comidas rápidas aonde, pelo menos uma vez na vida, levei minha família. Tal qual o pai, Mitsuo gosta tanto de pizza que, segundo a mãe dele, nem havia acabado um pedaço da última que pedimos, ele já estava dizendo que o outro também era dele. Dá gosto de vê-lo comer com tanta vontade. É em uma hora dessas que vejo que fazer a felicidade de quem amo não tem preço.

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