quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Desgosto na cozinha

Se minha crítica gastronômica número 1 pensa que acreditei quando ela disse que a feijoada que fiz no domingo passado ficou gostosa, enganou-se, porque, para eu dizer que minha feijoada está aprovada, ainda vou ter de cozinhar muito feijão. Não é porque coloco só três ingredientes (carne bovina, costela suína e linguiça), não. Acho que ela não ficou boa porque, com medo de a comida ficar salgada, deixei as carnes na água mais tempo do que elas precisavam e o feijão no fogo menos. Por isso, fiquei indiferente quando, na volta do trabalho, minha esposa disse que a mãe dela, cujas folhas de louro e cujo conselho para cozinhar as carnes separadas do feijão, só os misturando depois (não existe receita certa, cada um faz como sabe ou gosta), me foram indispensáveis, havia gostado. Gostosa mesmo era a feijoada que eu comia quando ia à casa de minha madrinha ajudar a encher laje, superior a todas as outras que repeti mais de uma vez, como a do restaurante em Barueri onde quem não deixava nada no prato pagava menos, a do restaurante perto de Alphaville, também em Barueri, cujo nome não era nada convidativo e a do restaurante da “tiazinha” em Osasco aonde, segundo meus colegas de trabalho bons de garfo, era preciso levar barbeador, detalhe este que a linguiça, o torresmo, a couve e, principalmente, a caipirinha me faziam deixar de lado. Depois desse meu desgosto na cozinha, acho que só vou voltar a usar feijão-preto, cujo cozimento é bem mais duro do que eu imaginava, quando conseguir deixar o feijão-carioca, que não pode faltar em minha despensa, ficar não só com cara, mas também com gosto de feijoada.

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