terça-feira, 2 de junho de 2015

Minha mulher e as baratas

De tanto revisar textos de programas dedicados ao mundo do tênis, eu disse a minha mulher que, no dia em que nos despedirmos de nossa vidinha de pobre, só para darmos uma de bacana, vamos para a quadra. Pelo visto, ela já está treinando, com a raquete que comprou para exterminarmos insetos. Os mosquitos são dela, que não para de ir de um canto a outro da cozinha até não ver mais nenhum sobrevoando a cestinha de frutas ou o baldinho de lixo; as moscas, minhas, sendo as mais incômodas as que aparecem quando há cheiro de carne no ar, motivo pelo qual sempre passo água no saco plástico que vem do açougue antes de jogá-lo no lixo. Quando morávamos em Embu das Artes, a briga dela era com as formigas, que invadiam a mesa sempre que suas antenas detectavam algum sinal de açúcar dando moleza, e os tatuzinhos, que, apesar de serem crustáceos, eram detestados por minha esposa do mesmo jeito que as traças, lesmas e outros “insetos”. Mas nenhuma outra praga deixava minha mulher mais apavorada do que as baratas, a maioria das quais acabava parando embaixo de meu chinelo ou sapato toda vez que minha esposa encontrava alguma pela casa, inclusive na madrugada. No abandonadíssimo terreno onde se encontrava a casa em que morávamos se escondiam tantas baratas que, para não dividirmos com elas o já apertado porão, precisávamos tapar suas principais passagens: o pé da porta e os ralos do banheiro e da cozinha. Ultimamente, parece que os insetos que têm deixado minha mulher de cabeça quente são os piolhos, pois, assim que ouviu as professoras da creche que nosso filho frequenta pedirem que as mães ficassem de olho na cabeça das crianças, já levou Mitsuo para corta os cabelos.

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