domingo, 10 de maio de 2015

Os dias de minha mãe

Se alguma vez um dos filhos de minha mãe teve a esperança de um dia comemorar com ela o segundo domingo de maio, perdeu-a em 2007, quando, pela segunda vez, ela foi embora de nossa vida, levada pela morte. Ainda éramos crianças quando, sem condições de nos criar, ela foi embora pela primeira vez, fazendo-nos perder o contato um com o outro. Um dia, quando eu já nem pensava mais nela, fui surpreendido por ela, que não esperava que, na primeira oportunidade, eu fosse agarrar-me à saia dela para ir com ela aonde o destino nos levasse. Em São Paulo, aos poucos, ela acabou reencontrando os outros filhos (na verdade, duas filhas, uma cuja existência fora escondida até, já mãe, ela ir procurar conhecer quem lhe havia dado à luz) que tinham sido separados na Bahia. Recentemente, eu, que, por tantas razões, inclusive a falta de beleza, dificilmente me vejo bem na foto, tive o prazer de ver uma imagem do tempo em que eu andava pelos bailes da vida na qual, com um cigarro na mão, estou usando uma camiseta cor de vinho que devo ter dado a minha mãe quando eu não queria mais. É a mesma camiseta com a qual a vejo no único retrato, 3 por 4, que tenho dela, guardado especialmente para meus filhos. Em poucas e tristes palavras, assim foram, como sinto que nenhum dos filhos, inclusive os outros dois que ela acabou tendo mais tarde, gostaria que não tivessem sido, os dias de minha mãe, que parti deste mundo aos 61 anos.

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