sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nem cheiro de churrasco

Um dia que merece ser lembrado na história do Espaço Harry, projeto por trás do qual eu e meu amigo Gabriel Front estávamos entre agosto de 1991 e junho de 1992, quando o destino nos mandou passar um tempo na fila dos desempregados, é o do churrasco que inventei para pedir aos “harriers” que fizessem alguma coisa para chamar mais gente para nossa festa, porque, do jeito como o negócio estava indo, com a bilheteria mal dando para pagar o aluguel, o que eu constatava toda vez que procurava dinheiro para fazer os convites, estávamos correndo o risco de ser mandados embora da casa. Achando que a humilde casa de minha mãe não era tão apresentável, pedi emprestada a casa de um amigo para receber meus convidados, um dos quais Clodoaldo, que, sendo fã de, por exemplo, Elvis Presley, Ray Charles, Chubby Checker, Fats Domino e outros velhos representantes do rock, deve ter se sentido pouco à vontade onde era esperada a turma que curtia Nirvana, banda que fazia a cabeça dos “tennagers” que andavam com Nilton, e Sonic Youth, a de nosso DJ Glauco. Talvez para eu nunca mais ter vergonha da casa onde minha família morava, quando cheguei ao endereço onde iria ser realizado o churrasco, nem cheiro, porque o pessoal que já se encontrava no quintal antes de nossa chegada, que não tinha nada que ver com a turma que eu havia chamado, tinha acabado com tudo o que eu havia comprado.

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