domingo, 26 de abril de 2015

Tá, meu bem?

Fábio Ricardo Justo, ou, deixando a formalidade de lado, Justo, ainda não dava aulas na escola de idiomas que há mais de duas décadas minha amiga Lorna Burleigh dirige em Osasco quando, convidado para uma das não sei quantas festinhas que foram realizadas na casa de minha amiga Adriana ao longo do tempo em que fui hóspede da família dela, de 1994 a 1997, parou para eu fazer uma das fotos de que mais gosto, na qual ele aparece no quartinho que o pai de minha amiga, achando que ainda tinha idade para colocar a mão na massa, construiu para mim, deixando o chão ficar xadrez e permitindo que as paredes fossem pintadas de azul, verde, vermelho e amarelo, esta com minha musa dos quadrinhos, Valentina. Acho que foi no inesquecível cubículo que a imagem de ambos os amigos foi congelada, pois Justo, que era um dos frequentadores mais animados das festas que eu e meu amigo Gabriel Front fazíamos em Osasco entre 1991 e 1992, quando, como escrevi em outro texto, o rock viveu sua fase conhecida como grunge (Alice in Chains, Babes in Toyland, Bush, Hole, Mudhoney, Nirvana, Pearl Jam, Screaming Trees, Soundgarden e Stone Temple Pilots), aparece sentado em um dos sofás-cama que eu tinha à época. Sem tempo para procurar a “fota”, como diria Mr. Richard, outro frequentador assíduo dos bailes que fazíamos no começo dos anos 90, que tirei dele em uma livraria em frente ao Continental, shopping center que me parece mais a cara de São Paulo do que a de Osasco, não sei o ano da última vez que o vi, mas não tenho dúvida de que, se o tivesse conhecido uns dez anos antes, teria curtido com ele muitas bandas que fizeram sucesso na época da new wave (inclusive o new romantic), como Adam and the Ants, B-52’s, Blondie, Classix Nouveaux, Culture Club, Devo, Duran Duran, Frankie Goes to Hollywood, Go-Go’s e Nina Hagen, ou lhe apresentado a revista Sputnik, se é que ele não conhecia, a Seleções dos russos que eu lia na segunda metade dos anos 80, quando os ventos da perestroika e da glasnost, conjunto de reformas políticas e econômicas introduzidas pelo presidente Mikhail Gorbachev, começaram a desmantelar a União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas. Por falar na Rússia, onde meu ex-professor já esteve duas vezes, sendo a primeira quando era solteiro, ao perguntar se ele ainda curtia o desconhecido rock russo, eu esperava que ele fosse citar, por exemplo, o velho Boris Grebenshchikov, cujo trabalho à frente da banda Aquarium devo ter ouvido comentários em um dos programas de rádio que eu gravava antes do desaparecimento da fita cassete, e Pussy Riot, banda punk que ficou famosa no mundo por (tirem as crianças da sala) tocar o puteiro na terra da bela tenista Maria Sharapova, principalmente infernizando a vida do presidente Vladimir Putin, não a banda ucraniana, que soa como russa, Stepan i Meduza. Espero que, no dia em que Justo, que não vê a hora de nos reunirmos, inclusive com Adriana, colocarmos em dia “all those years ago”, me ajude a traduzir as falas dos vídeos infantis russos que Mitsuo adora ficar repetindo e, para não ficar só na conversa, “tá, meu bem?”, coma estrogonofe, um dos pratos que meu filho mais pede à mãe e à avó dele, por favor, com bastantes champinhons.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.