quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Cheiro de cachorro molhado

Onde é que se ouviu dizer que deixar a roupa sem passar é ecologicamente correto? Não em minha casa, porque, para mim, pior que vestir uma roupa engelhada é sentir que ela está fedida, ou com cheiro de cachorro molhado, como dizia minha mãe, que usou anil e engomou muita roupa no tempo em que o ferro de passar era a brasa, fazendo quem o soprasse correr risco de ficar com a cara cheia de cinza. Eu pensava que o mau cheiro fosse causado por enxaguar pouco a roupa, deixando-a ainda com sabão (é só ver a cor da água depois da primeira torcida), mas minha esposa, que outro dia me deu uma bronca só porque demorei para tirar a roupa que ela havia deixado na máquina, me disse que é porque a roupa não secou direito. Cá entre nós, se eu não tivesse consciência de que preciso ajudar a mãe de meu filho a não encontrar tanta coisa para fazer em casa depois que ela volta do trabalho, de vez em quando daria uma de joão sem braço, não por preguiça ou por já ter meu trabalho (do escritório) em casa para me preocupar, mas por causa do desconforto que sinto na minúscula área onde atualmente minhas roupas têm sido penduradas para secar, na qual mal cabem o tanque e a máquina de lavar. Na semana passada, Priscilla me disse que viu em um poste um anúncio de uma pessoa oferecendo seu serviço de passadeira. Acho que é a mulher que deixou uns cartões no mercadinho perto de onde moramos, mas – obrigado – não estou interessado na oferta da anunciante, pois, cansado de ver que, por mais que tenha ligado o ferro toda semana, minha mulher não conseguiu acabar com a montanha de roupas no armário, de uns dias para cá, tenho pegado a tábua para desenrugar as roupas da família, prometendo não só transformar as montanhas em montinhos, mas relaxar quando vir abertas as portas do guarda-roupas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.