Desde que Ian Curtis morreu (suicídio foi a causa), no dia 18 de maio de 1980, uma legião de admiradores da banda de rock inglesa Joy Division tem feito o que pode para homenagear o cantor e guitarrista, que tinha só 23 anos. Eu, por exemplo, tirei do guarda-roupa a camiseta em cuja estampa a New Musical Express comemorou os 30 anos de Unknown Pleasures, álbum de 1979. É com esta maravilhosa peça que ganhei de minha amiga Hebe que coloco em evidência a banda paulistana Dead Souls, um dos mais admiráveis tributos joydivisionianos que vi e ouvi quando eu passava a noite em danceterias. Infelizmente, só cheguei a assistir a duas apresentações do grupo, o que já foi suficiente para eu sentir como deveria ser empolgante estar num show da “Divisão da Alegria”, porque o performático Daniel Pala (vocalista e guitarrista) imita tão bem Ian que até parece que é o próprio vocalista da cultuada banda de Manchester que está ao vivo. Os outros integrantes da banda paulistana são: Callegari (baixista), Paulo Chiara (guitarrista e tecladista) e Yker Buruaga (baterista), este último que, por ficar no fundo do palco, dificilmente aparece nas fotos.
EFMérides
Uma passagem no tempo
sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Desde quando me conheço como revisor de textos
Como eu já disse em outro texto, sem trabalho, nada feito. Gosto tanto de pôr as mãos à obra que nem no Dia do Trabalho me dou folga. Por isso, aproveito a horinha do café para reproduzir aqui o mais recente texto que postei no LinkedIn para contar desde quando me conheço como (nunca imaginei que um dia iria usar esta frase feita) revisor. Eu já havia me despedido da Videolar S. A., empresa em que trabalhei duas vezes (a primeira, em 1996, como “colaborador” e a segunda, em 2008, como prestador de serviços), quando, no início de 2012, achei que estava na hora de, mais uma vez, atualizar as informações sobre a experiência que tenho no campo da revisão de textos, profissão na qual ingressei em 1995, quando, mesmo tendo completado apenas o ensino médio, decidi procurar um trabalho que me fizesse sentir que todo o tempo que eu havia passado prestando atenção às aulas de português, estudando gramáticas, consultando dicionários e lendo manuais de redação e estilo não havia sido perdido. Até eu encarar minha primeira empreitada, como autônomo em um pequeno escritório de tradução e legendagem de filmes, a única experiência que eu tinha com revisão era da época em que eu editava um fanzine (1993), além dos meus dias de redator de releases para uma danceteria (1991). A fim de ganhar um pouco mais de experiência – e, é claro, dinheiro –, em 2000, comecei a encarar como autônomo trabalhos paralelos ao que eu tinha na Videolar, dos quais destaco as revisões feitas para a revista Imprensa, Editora Flex e MetaDesign. Atualmente, presto serviços para as empresas Dois Pontos: Digital e Vinny Filmes, além de fazer parte do expediente da revista Brazilian Vibe, cujos textos que corrijo me rendem pelo menos uns reais para pagar o café.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Boa sorte

Em Santana de Parnaíba (pensei que fosse em algum lugar de Carapicuíba ou do lado pobre de Barueri – tinha certeza de que não era em Alphaville), mora Luque, ex-colega de trabalho cujo nome (na verdade, sobrenome) eu só soube que não era um apelido depois de receber um convite para me juntar à rede dele no Facebook. Marcelo da Silva Luque. Este é o nome completo do cara, que, quando eu não via atendendo algum setor com um equipamento eletrônico precisando de conserto, o encontrava às mesas de sinuca, na hora do almoço, pelo menos no tempo em que havia o que fazer e a mencionada opção de lazer. Era a última pessoa que eu queria ver quando ia à copa perto do departamento onde eu trabalhava, pois, toda vez em que ele aparecia, me cobrava um novo texto no blogue. Estas linhas, apesar de serem quase telegráficas, são dedicadas a ele, para o qual desejo boa sorte em seu novo emprego.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Fui ao cinema e paguei caro
Poucas vezes me vejo em uma fila de cinema, não por falta de interesse pela sétima arte. É que, se nem no conforto de meu lar, doce lar me sinto animado para ver algumas das produções que se vendem na telinha, quanto mais me dar ao trabalho de assistir aos títulos que estão em cartaz na telona, cada vez pagando mais caro, não tanto pelo alto preço na bilheteria, mas por causa do estresse que se passa no trânsito e no e$tacionamento. Entretanto, dificilmente declino do convite da menina dos meus olhos para ir ao cinema. A mais recente película à qual ela me chamou para assistir foi O Artista, uma comédia romântica em que um ator vê sua carreira ser arruinada quando o cinema começa a ganhar voz, no fim dos anos 20. A fim de não “queimar o filme” para quem se interessar em assistir a esta homenagem do diretor francês Michel Hazanavicius ao cinema mudo, conto apenas que, se eu não tivesse lido o nome do ator Malcolm McDowell na lista de elenco, não teria percebido que o mordomo que aparece no filme foi, há muitos anos, o ultraviolento jovem Alex do clássico Laranja Mecânica. Por outro lado, não precisei de nenhuma ajuda para saber quem é que faz o papel de Al Zimmer, o homem que põe fim na produção de filmes mudos no Kinograph Studios – o inconfundível John Goodman (o Fred de Os Flintstones) –, levando à falência George Valentin (Jean Dujardin), que, após descobrir que Peppy Miller (“who’s that girl?”; Bérénice Bejo), a dançarina que ele ajudara a tornar-se estrela, havia comprado todas as suas coisas que foram a leilão, decide suicidar-se, só não conseguindo porque Miller chega a tempo de impedi-lo de puxar o gatilho. Sortudo pra cachorro, o protagonista já havia sido salvo pelo fiel Jack, que, ao ver seu amigo em meio a um incêndio, corre para pedir ajuda a um policial.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Um nome brasileiro
Por esta eu não esperava: que tivesse de escolher um nome brasileiro para meu filho, cuja mãe tem descendência japonesa. Fiquei sabendo disso na primeira vez em que a avó de Mitsuo se juntou a nossa mesa para um almoço, aproveitando o convite de sua amiga Marisa, que ela conhece desde o tempo em que a menina dos meus olhos precisou de umas boas aulas particulares de matemática. Não simpatizo com a ideia de acrescentar um nome ao que todos pensam que foi minha esposa que escolheu – pois, uma vez que Mitsuo vai herdar também o sobrenome da mãe, vai ficar com um nome extenso, inevitavelmente propenso a omissões ou abreviações, simplificações estas a que, quando escrevo, só recorro em caso de falta de espaço –, mas, sendo um amante da língua portuguesa, eu teria menos simpatia se a mãe de Mitsuo decidisse registrá-lo com um nome estrangeiro, que sempre causa alguma dúvida na hora de escrever, como os que, dependendo da origem, chamam a atenção pelo “h”, “k”, “w”, “y”; “cc”, “ll”, “nn”, “tt”; “ch” “sch”, “sh”, “th”; etc. Por isso, enquanto vou contando os meses para a chegada do novo integrante da família, quem quiser ajudar na escolha do primeiro nome do meu filho não faça cerimônia, envie sua sugestão para o endereço eletrônico efmerides@hotmail.com. Mas, por favor, mande nomes simples, como “Antônio”, “Francisco”, “João”, “Joaquim”, “José”, “Miguel”, “Pedro”, os quais, a meu ver, só escreve errado quem quer.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
É menino!
Cheios de alegria e boas surpresas. É como têm sido para mim os dias desde que a menina dos meus olhos me revelou, em outubro, que estava grávida. Uma das coisas que mais me deixaram alegre foram as mensagens que recebi tão logo a boa nova tenha se tornado pública:
Puxa vida, que notícia ótima! Mande sempre notícias nos informando como estão os dias à espera do bebê. Ana Lúcia Cardoso de Souza
Minhas felicitações ao casal. Que alegria de receber uma notícia tão maravilhosa. Desejo as mais ricas bênçãos de Deus para seu filho (ou filha) e a vocês. Camila Xisto
Nada me deixa mais feliz do que esta notícia. Primeiro, porque você merece a dádiva de ter um filho. Segundo, porque esta criança é muito abençoada, por ter um pai como você. Cida Barros
Que venha com muita, muita, muita saúde. Denise Balmont
Parabéns ao casal! Mas conte mais, já está de quantos meses? Chegada prevista para quando? Temos de começar os preparativos. Diane Lorde
Agora que sei que são “3” na família, ansiosamente, estou aguardando pelo meu sobrinho (ou sobrinha). Mande notícias. Essa foi a melhor notícia que recebi hoje, no meu aniversário! Emilia Massami Harata
Aos pombos, parabéns pela visita da cegonha. Escobar Franelas
Como diria Cartman, “awesome”! Abençoado seja, “my friend”. Fico muito contente por esta nova vida a caminho, pois sei que estará em boa guarda. Gabriel Front
Que notícia mais bonita. Fico tão feliz por vocês. Pode me dizer de quantos meses a Priscilla está? Vou comprar uma roupa bem linda para o bebê. Hebe Kátia
Quando li a notícia, comecei a chorar! Fiquei hiper, ultra, megafeliz por você. Tenho um carinho gigante por você e sempre torci – e torço – pela sua felicidade. Jaqueline Dias Ferreira de Jesus
Que o rebento venha com muita saúde e traga um milhão de alegrias para o casal! Juliana Burneiko
Que fofo! Felicidades! Julio Frei
Agora me assustei, e fiquei feliz. Sinceramente, estou em choque, correndo agora para contar aos meus pais. Que seu filho seja feliz, como os pais devem estar sendo. E mande ao campeão abraços do tio aqui! Júlio Vartuli
Que esta criança traga muita felicidade a vocês. Lady Trinity
Mas que notícia maravilhosa, hem? Filho é lindo, é tudo de bom. Que vocês sejam muito felizes! Laila Gimenez
Você vai ser pai!? Vi seu e-mail ontem à noite, pelo celular, com o Felipe, e ficamos muito felizes por vocês. Que esta criança traga muita felicidade e renovação à vida de vocês. Que dádiva! Mas, poxa, tem de ter comemoração ao vivo e em cores! Quando, onde? Já estou lá, com certeza. Luciana Lima
Que ótimo começar a semana com uma notícia linda, como esta! Curtam esta espera mais do que doce. Marcella Machado de Campos
Ficamos muito felizes com a sua notícia, e temos certeza de que esta nova fase da sua vida lhe trará muitas alegrias. Para que mês o bebê está previsto? Mande-nos mais notícias. Marcelo Nunes
Parabéns, paizão! Fiquei muito feliz em saber! Toda a felicidade do mundo à nova família! Michele Vartuli
Demorou, mas você descobriu com se faz. Deus os abençoe. Pedro Henrique Serafim
Fico muito feliz por vocês. Finalmente, você vai deixar de ser só tio. Tenho certeza de que a paternidade vai lhe fazer muito bem. Regina Bock
Amigo Perdido, agora, mais que Achado. Imagino a felicidade do casal. Estou torcendo daqui de Ubatuba. Boas energias com a brisa do mar. Regina Lopes
Fico feliz por você, viu? Você merece! Sandra Dantas
Que delícia! Parabéns, queridos! Que traga muitas felicidades a vocês! Silmara de Oliveira
Fiquei contente de saber que vai ter um filho. Afinal, faz bastante tempo que tem este desejo, e você merece. Tânia Damaceno
Muitas felicidades ao casal e ao guri, ou guria, que está chegando para iluminar suas vidas. Mil vezes abençoada seja esta criança. Telma Franco
Esperado para chegar em junho, Mitsuo, nome escolhido por causa do Superdínamo, animado desenho japonês a que eu assistia muito em 1975, quando eu estava entrando na escola e aquela que, um dia – quem diria? –, iria se tornar a menina dos meus olhos estava nascendo, já tem trazido alegria a minha vida mesmo antes de ser dado à luz (a propósito, seu nome quer dizer homem brilhante). Sem dúvida, “Gracimar” (“Graci” por causa das gracinhas do pai; “mar”, uma das paixões da mãe) deu um novo sentido a minha vida, fazendo-me sentir, por exemplo, que mais importante que ser tio é ser pai. As surpresas boas ficaram por conta das pessoas que já presentearam a criança que havia muito eu desejava, a qual, se depender do carinho e da boa vontade da “tia” Marisa, vai precisar de mais espaço para guardar tantos agradinhos.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Rinocerontes invadem selva de pedra paulistana
Até o dia 20 de outubro 60 rinocerontes estarão parados em diversos pontos estratégicos de São Paulo. Voltando de mais uma tentativa de aprender inglês, no sábado passado, dia em que, para compensar minha falta à apresentação da banda escocesa Primal Scream para comemorar os 20 anos do antológico álbum Screamadelica, eu esperava sair um pouco de casa para dançar, capturei sete dos que se encontram na avenida Paulista: Ian Curtis 31, criação do artista Henrique Belotti para lembrar quantos anos faz que o vocalista da banda inglesa Joy Division morreu; O Rinoceronte de Ionesco, de Marcelo Higa; Rinovando São Paulo, de Maramgoní; Rinorainha, de Alexandre Truff; Naturrino, de Mi Castelani; São Paulo Cinza, de Locones; e Super Rino Defensor dos Animais, de Paulo Lionetti. O primeiro
bicho está no número 900, onde fica o prédio da Gazeta, e o último, no cruzamento da mencionada avenida com a rua Bela Cintra. Iniciada em dia 20 de setembro, a exposição Rino Mania, cujo símbolo do patrocinador, a sexagenária fabricante de louças e metais sanitários Duratex, é o feroz mamífero de “chifre no nariz”, segue as mesmas pegadas da CowParade, a das vacas que percorrem o mundo, com a diferença de que a mostra dos rinocerontes, feitos de vibra de vidro, quer que o público não só admire a criatividade de cada artista, mas também rumine sobre a extinção do animal cujo corpo foi tão bem usado como meio de expressão.
bicho está no número 900, onde fica o prédio da Gazeta, e o último, no cruzamento da mencionada avenida com a rua Bela Cintra. Iniciada em dia 20 de setembro, a exposição Rino Mania, cujo símbolo do patrocinador, a sexagenária fabricante de louças e metais sanitários Duratex, é o feroz mamífero de “chifre no nariz”, segue as mesmas pegadas da CowParade, a das vacas que percorrem o mundo, com a diferença de que a mostra dos rinocerontes, feitos de vibra de vidro, quer que o público não só admire a criatividade de cada artista, mas também rumine sobre a extinção do animal cujo corpo foi tão bem usado como meio de expressão.
domingo, 7 de agosto de 2011
Identificado objeto voador
Na última segunda-feira de julho, acordei com a notícia, dada pela tevê, de que no dia 23, sábado, um objeto com luzes azuis havia sido identificado no céu de Embu das Artes. Ao contrário do que esperava quem acredita na existência de seres de outros planetas, o objeto voador não passou de uma pipa! A primeira vez em que ouvi em falar em óvni (dicionarizado assim mesmo, sem ponto e em minúsculo, como “laser”, “radar”, “sonar” e outras siglas) foi na primeira metade dos anos 70, quando a música sertaneja ainda tinha cheiro de bosque, de cocô de vaca ou de cavalo, não era chamada de country, tempo em que a revolucionária dupla Leo Canhoto & Robertinho atacavam nossas radiolas com seu Disco Voador. Embora, desde que “os caipiras milionários do rock” me apareceram com essa história de extraterrestres, eu concorde com quem diz que, se Deus é todo-poderoso, pode ter outros mundos, não deixaria o homem sozinho no universo, duvido que, tendo conhecimento da forma irracional como os terráqueos cuidamos de nosso planeta, desprotegendo o solo, sujando ou envenenando a água dos rios, lagos, mares e oceanos, deixando irrespirável o ar, extinguindo a vida animal e a vegetal, suscitando e alimentando o ódio ao “diferente”, algum alienígena, que nunca ouvi dizer que é menos evoluído que nós, iria querer fazer contato conosco. Não de imediato, ou os venusianos e os marcianos, os vizinhos mais próximos dos terráqueos, já o teriam feito, pois faz tempo que estamos de olho no planeta deles. Tomara que esse povo de fora venha mesmo em missão de paz, não tenha a intenção de nos exterminar, senão estaremos perdidos, desejaremos que sua existência não tenha passado de ficção, objeto de nossa imaginação.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Carteira vazia
Dinheiro na mão é vendaval, já dizia o cantor Paulinho da Viola em Pecado Capital, música homônima da novela a que eu assistia em 1975, quando os folhetins que a TV Globo exibe depois do Jornal Nacional realmente começavam às 8 horas, não às 9, como hoje. Nem bem entram uns reais em minha carteira, vão embora logo, uma vez que, por mais que eu tente manter algumas notas na carteira, sempre acabo ficando sem nada, dando fim até nas moedas, que me salvam principalmente na hora de dar gorjetas ou não ficar indiferente a algum pedinte. Por andar com a carteira geralmente vazia, carregando religiosamente apenas o documento de identidade e o cartão eletrônico de ônibus, é que de vez em quando me vejo em certas situações embaraçosas, como aconteceu no dia 17, domingo, quando, depois de apanhar para ensinar a menina dos meus olhos a saída de Embu, onde moramos, para pegar o anel viário em direção à rodovia Castelo Branco, eu não tinha dinheiro para pagar o pedágio, porque no sábado havia gastado toda a quantia que sacara para minha
menina e eu prestigiarmos o 14º. Festival do Japão, no Centro de Exposições Imigrantes, de onde, mesmo desembolsando os olhos da cara para estacionar (R$ 25!), voltei triste por não ter tido o prazer de ver as lolitas (também, àquela hora da noite, 21, perto de encerrar o segundo dos três dias do festival, as meninas vestidas de boneca só queriam descansar) e comprar uma camiseta com o herói japonês de que mais gosto: Superdínamo (detesto ver o prefixo separado, ou ligado com hífen), figurinha praticamente desconhecida nos estandes em que paramos. A fim de compensar a vergonha de não ter R$ 1,40 para evitar que minha motorista particular (espero que um dia eu tenha competência para dirigir) não fosse obrigada a assinar uma declaração na qual tinha 5 dias para depositar na conta da concessionária o pequeno valor, consegui convencer minha mulher a parar no shopping center Tamboré, onde, dando uma de bacana, usei meu cartão não só para pagar nosso almoço, mas também um presente que havia muito tempo eu queria comprar para minha amada, sem me esquecer de sacar uma graninha para bancar o pedágio na volta. Se eu soubesse que, mesmo depois de ter ido comigo até Itapevi, a menina dos meus olhos iria me convencer a ir a Pinheiros, onde meu amigo Glauco estava me esperando para me apresentar a Casa Dissenso, uma lojinha de venda de CDs, camisetas, bótons, pôsteres, publicações e outros produtos que chamam a atenção do público alternativo, teria pedido a ela que se livrasse do pedágio perto de Alphaville, evitando tirar R$ 3,20 da carteira, quantia esta
que já daria para pagar mais de meia garrafinha de cerveja no lugar onde tivemos o prazer de assistir à apresentação da banda mineira Constantina.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Amigos de faz de conta
Olá, amizade. Você sabe que dia é hoje? Não? É o Dia Internacional do Amigo, que no Brasil é comemorado (nunca vi ninguém fazê-lo), em 18 de abril. Foi preciso que um “hermano”, Enrique Ernesto Febbraro, estivesse com a cabeça no mundo da Lua para que, em 1969, ano da chegado do homem ao satélite deste planeta (alô, alô, marcianos, aqui quem fala é da Terra), o dia 20 de julho passasse a ser bastante lembrado pelas pessoas que, bem ou mal, não vivem sem fazer amizades. Em minha vida, houve um tempo em que eu me preocupava em classificar as pessoas em “conhecidas”, “colegas” e “amigas”, achando que esta categoria era mais importante que as anteriores, porque, estupidamente, pensava que as pessoas que eu dava este título me eram imprescindíveis, prestativas, fiéis, íntegras, da melhor qualidade. Enganei-me. Depois de perder a paciência com alguns amigos (e amigas) – porque tudo nesta vida cansa –, passei a me preocupar menos em chamar quem quer que seja de “amigo”, palavrinha esta tão batida em nosso mundo, cada vez mais virtual. Nunca foi tão fácil ter amigos. Hoje, com um clique ou um toque na tela do computador (se é que já não está sendo feito com um piscar de olhos), passamos a fazer parte da rede de quem quiser nos adicionar. É só nos chamar, ou aceitar o nosso convite, mesmo sabendo que temos tanto a dizer à pessoa que quer fazer amizade conosco quanto ela a nós. Difícil é ser amigo – de verdade, fora do mundo do faz de conta, da falsidade, da esperteza, do mau-caratismo, da insensibilidade e de tantas outras qualidades abjetas. Acho que o mais importante não é o título que damos às pessoas, mas o respeito que elas têm por nós.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Retrato de Alice
Antes de escrever para ela, que nem imaginava que eu iria fazê-lo, perguntei-lhe se as palavras envelheciam, se perdiam a validade. Isso porque, tentando encontrar tempo para expressar-lhe com veemência o quanto, desde o primeiro cumprimento – um caloroso aperto de mão, cuja satisfação senti pela firmeza –, ela me havia encantado, acabei adiando o que tinha por dizer a ela, minha nova colega de trabalho, de cuja companhia comecei a comprazer-me assim que se nos apresentamos, ora chamando-a para um rápido café, convite sempre bem-vindo para animadas conversas, ora, não obstante desculpar-me de interromper seu trabalho, convidando-a para almoçar, visto que, seja por educação, seja por prazer, todos – ou, pelo menos, a maioria – queríamos regozijar-nos de sua presença, tendo sido a chefa a primeira privilegiada da lista. Da mesa da chefa para a de outros colegas foi um pulinho, o que, sem dúvida, era de esperar, afinal, cotidianamente atento à humildade, doçura, franqueza (aliás, qualidade esta até no nome), abnegação, polidez (“oi”, “bom dia”, “tudo bem?”, “por favor”, “obrigada”, “tchau”) com que nossa admirável dama honrava a todos com os quais convivia, o pessoal do departamento de tradução (marcadores e revisores de legendas) não via a hora de arrastá-la para perto de si,
alegria que, infelizmente, não durou muito tempo, pois rapidamente convites de fora da seção chegaram a nossa querida personagem, privando seus companheiros mais próximos de sua agradável companhia na hora do almoço, porém apenas nessa sagrada horinha, pois, quando se tratava de festa, principalmente de aniversário, o nome dela, Telma (Franco Diniz Abud), nunca podia faltar, uma vez que, sabendo que ela tinha o dom de transformar um pequeno encontro em um grandioso momento, não a poupávamos da organização do que estivesse na agenda. Tradutora de inglês, ela era uma das melhores profissionais de nosso departamento, reconhecimento este que se fundamentava na disciplina (assiduidade, organização, esmero) com que executava seu ofício, o que nos levava a crer que era apaixonada pelo que fazia. Se no âmbito do trabalho ela se notabilizava como profissional exemplar, na esfera familiar ela se mostrava uma mãe muito amorosa. Pelo menos foi esse o retrato que guardei dela de todas as vezes em que a vi com a filha. Lembro que, quando, à saída de um almoço, a colega me revelou já ser mãe de uma moçoila de vinte anos e de um rapaz um pouco mais jovem, fiquei um tanto surpreso, porquanto, aos meus olhos, ela é que parecia ter a idade da filha. A uma de suas mais apegadas colegas
naquela época perguntei que descrição ela poderia fazer da protagonista deste texto. É certo que a resposta dela seria o mais surpreendente possível, mas Alice, personagem do escritor britânico Lewis Carroll, foi o nome que imediatamente satisfez minha questão. Por quê? “A Alice da qual falamos não encontra, em seu sonho, o gato que se transforma em boca, mas sim em uma enorme orelha, que ela usa para escutar os outros. Nossa Alice sonha acordada com um mundo maravilhoso, onde as pessoas com as quais ela sonha são perfeitas, por ela acreditar nisso e fazer com que os outros, assim, também acreditem. Ela é o sorriso no meio do pranto, é o rubor de vergonha num mundo onde a palavra foi esquecida, é a mão estendida onde há tantos braços cruzados, é a gentileza onde reina o zelo pelo próprio umbigo.” Tinha mesmo de vir dos livros, amigos de que nunca nos separamos, uma figura extraordinária com a qual nossa admirável amiga se identifica tão bem. E foi comparando-a com eles que, certa vez, escrevi: “Existem pessoas que são como aqueles livros que só nos interessam pela beleza da capa – encantam nossos olhos, mas o conteúdo não nos diz nada, são ótimos para enfeitar vitrinas, desfilar em qual seja a mão; outras se parecem com aqueles cuja importância está no conteúdo, no valor de cada palavra, na coerência das ideias – sem eles, nossa estante ficaria vazia; raras são as pessoas que se parecem com aqueles livros cuja beleza se nos revela aos poucos, na leitura do dia a dia. Estes, sim, nos são tão queridos que, mesmo despojados de capa, protegidos estarão pelo nosso carinho. Este é o retrato que tenho dela: dos melhores livros.”.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A festa acabou
Não adianta chorar. A festa acabou. Não a do primeiro ano de existência do blogue, a qual, por causa de mais uma de minhas mudanças de endereço (desde 27 de março estou morando em um dos dois Embus – o das artes), infelizmente, não foi realizada, mas as baladas às quais eu me sentia convidado a ir para dançar, já que, quando o assunto é música, não me dou ao trabalho de sair de casa apenas para ouvir os sons de que gosto. Bem, se as incansáveis idas que há mais de 25 anos tenho feito pelas pistas de dança não chegaram ao fim, pelo menos acabaram ficando mais difíceis, porque, desde o dia em que passei a morar com a menina dos meus olhos, que prefere perder o sono na cama a passar a noite em uma casa noturna, tenho deixado de ir a danceterias (a não ser que queira ir sozinho, como fazia antes de encarar a vida de, digamos, casado, que, por ora, vai muito bem, obrigado), tendo sido 30 de abril, um dia antes de minha amiga-irmã Hebe Kátia, cuja estada em minha morada me deixou muito feliz, embarcar de volta para a terra dos Beatles, a última vez em que fui visto em um inferninho, a propósito, no Inferno, clube noturno paulistano onde, acompanhado de minha menina, assisti à apresentação da banda eletrogótica francesa Opera Multi Steel, que me fez despedir de meu tímido sobrinho número 1, minha amiga de fé, irmã camarada Silmara e do DJ Wadão só depois de ouvir a tão esperada música Cathedrale.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Um ano do blogue
Prepare-se para a festa, porque no dia 26 de março, a partir das 23 horas, os DJs Wadão e Silmara estarão no lado A (porque o B foi fechado) da Livraria da Esquina para mais uma Back to the Cave. Para ajudar o “Morcegão” e a dona da Espectro80 na cabina de som, foram convidados os DJs André (Gothan), Rizada (ex-365) e Flávio (Gothan, Área 51, Van Helsin), o segundo comemorando mais um ano de vida, o terceiro, 40, enquanto eu estarei festejando o primeiro ano de existência do blogue EFMérides. Já o palco será da banda joydivisioniana Dead Souls. Se você gosta de sons góticos, eletrônicos, (pré e pós)punk, new wave, rock nacional dos anos 80, vá procurar sua turma e se mande para a Livraria. A gente se vê na pista.
terça-feira, 8 de março de 2011
Um mundo de mulheres
Na Índia, Pratibha Patil; na Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf; na Lituânia, Dalia Grybauskaite; na Alemanha, Angela Merkel; na Suíça, Micheline Calmy-Rey; na Finlândia, Tarja Halonen; na Irlanda, Mary McAleese; na Costa Rica, Laura Chinchilla; na Argentina, Cristina Kirchner; e, no Brasil, Dilma Rousseff. Embora ainda a passos lentos, cada vez mais as mulheres no mundo assumem o poder (na presidência de seu país), deixando bem claro que, quando se trata de mandar, o que importa não é saber o sexo dos anjos, mas a competência. A fim de não querer ver nem ouvir a mulherada dizer que os homens só notamos que elas existem nos outros dias, convidei algumas mulheres para dizer o que elas pensam sobre o Dia Internacional da Mulher, não ficando sem resposta de pelo menos duas não menos poderosas representantes da classe: as tradutoras (que coincidência!) Marcella Machado de Campos, 31 anos, e Silmara de Oliveira, 42, as quais, por mais que não se cansem de repetir que, grosso modo, só têm tido tempo para o trabalho, sempre conseguem encontrar ânimo para amar, se divertir, se embelezar, cuidar da saúde, malhar (inclusive homens insensíveis), se informar e escrever. Eis o que disse a primeira:
“Eu acho o Dia Internacional da Mulher uma grande bobagem! Dia da mulher não é todo dia? E de todas as mulheres? É, sim! Todo dia é o dia daquelas mulheres que acordam no meio da madrugada e pegam condução para o trabalho sem se esquecer de deixar o filho para alguém olhar; daquelas que trabalham em casa sem remuneração e, pior, sem reconhecimento, e daquelas que trabalham fora e em casa; daquelas que ainda sofrem preconceito (inclusive, porque mulher gostosa não pode ser inteligente e, se for inteligente, certamente não é gostosa); daquelas que (re)aprendem a viver depois de uma separação; daquelas que encaram com firmeza a vida e não se contentam com o óbvio;
daquelas que ganham menos do que os homens mesmo exercendo a mesma profissão e tendo mais competência; daquelas que vão às compras, à manicure, à depilação e ao cabeleireiro – claro, por que não? – para se sentir mais bonitas aos seus próprios olhos e não aos de outrem; daquelas que têm filhos e fazem disso sua prioridade, e também daquelas que optam por não tê-los e convivem numa boa com isso; daquelas que não cedem à pressão por um corpo perfeito e siliconado, um cabelo liso e roupas de grife; daquelas que trocam qualquer programa com o sexo oposto por uma longa e boa sessão de risadas – e lágrimas – com as amigas de infância;
daquelas que odeiam ser subjugadas, mas que sabem aceitar ser cortejadas; daquelas que trocam a lâmpada queimada da sala, levam o carro ao mecânico, discutem e entendem de futebol, praticam boxe por esporte e colocam muito homem no chinelo em termos de força e virilidade; daquelas que se cuidam e muitas vezes cuidam de toda a família também, e daquelas que, por cuidarem de toda a família, se esquecem de cuidar de si mesmas; daquelas que adoram ganhar flores e, quando não ganham, compram lindas orquídeas para enfeitar a sala;
daquelas que pagam suas contas e até a conta alheia, se for o caso; daquelas que têm fé e literalmente correm atrás: do ônibus lotado, de mais dinheiro para complementar o orçamento, de um amor que foi embora, do filho que não disse aonde ia, dos pais que já estão velhinhos... Todo dia é o dia das mulheres de todas as cores, opções e orientações sexuais, idades, todos os formatos, tamanhos, pesos, cabelos, cheiros, prazeres, dissabores... Pena mesmo é que só nós, mulheres, nos lembremos disso todos os dias.”. Enquanto a segunda:
“Fato é que as mulheres, no geral, têm a sensibilidade mais aguçada. E isso, bem explorado, desencadeou uma revolução na vida delas, elas se deram conta do que é necessário para viver melhor: conquista amorosa, financeira, um cargo na empresa, carro, estudos etc. Esse é o lado bom da coisa toda. Mas o importante nisso tudo é ter alguém ao lado para manter essas mesmas mulheres de sensibilidade amadas e felizes. Caso contrário, essas conquistas, apesar do caráter evolutivo, não fazem tanto sentido...”.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Bem na hora de ir para a festa
Sabe quando você se apronta para se divertir fora de casa e, bem na hora de sair, perde a ânimo ou fica com vontade de ir dormir? Foi o que aconteceu comigo no sábado passado, dia em que, sentindo-me convidado por sete DJs que fazem a festa alternativa em vários cantos da capital paulista, me preparei para ir ao Hole Club, onde a discotecagem do projeto Deepland seria feita só por mulheres. De acordo com o convite, iriam tomar conta da máquina de som: Angelica “Japa” (Vitrola), Aline Terrorista (Terror Kommando), Carla Teixeira (Blackout),
Isis (Modus Nocturno), Mary Sioux (Vanquish), Nanda Spooky (Deepland) e Silmara (Espectro80). Deitado em um maltratado sofá na casa de minha primeira irmã, que, com coração de mãe, tentava me fazer mudar minha cara de peixe morto, quanto mais eu olhava para o relógio, mais me perguntava “should I stay or should I go?”. Ao contrário das outras vezes em que enfrentei o mesmo dilema, peguei meu telemóvel, cujo rádio, por causa da bateria quase descarregada (bem feito, quem me mandou deixar minha sobrinha número 2 ficar ouvindo “música”?!), já estava na iminência de ligar o “off”, fui, porque tristeza não paga dívida e, o que é pior, a morte é certa. Sempre bem acompanhada de nosso DJ bom de copo (de cerveja) e de balada Wadão,
minha amiga de fé, minha irmã camarada Silmara se encontrava ainda na rua, em frente a um bar, quando parei no 2203 da Augusta, número em que, no dia 26 de junho de 1992, um outro clube, o Armageddon, deixava abertas as portas para outro projeto fazer a festa, o Espaço Harry, pelo qual eu e meu amigo Gabriel “Front” éramos os (i)responsáveis. Ao notar que a “japa” Angelica havia sido a primeira DJ a tocar, a qual já começou mandando muita gente para a pista, pensei que a discotecagem iria obedecer à ordem alfabética, mas, ao ver Silmara,
a DJ que mais sabe traduzir os sons de que gosto de ouvir em uma danceteria, ser a segunda a assumir a cabina e não a última, deixei de querer adivinhar quem seria a bela da vez. Antes de “Sil” chamar Lady Trinity e Lorde Douglas,
casal que sempre encontro na Espectro, para, mais uma vez, curtir sua ma-ta-do-ra set list, quem entrou em cena foi A Industrya,
uma das duas bandas convidadas para tocar entre uma e outra sessão de música das meninas. A meu ver, os eletrônicos se mostraram pouco à vontade no palco, seja por causa de alguns problemas técnicos (como microfonia), seja por causa da tímida empolgação das poucas pessoas que não ficaram sentadas ou longe do palco, desculpas estas que, felizmente, não tiveram os góticos do grupo Persephone Eyes,
cujo som recebeu muitas palmas, principalmente de quem não ficou parado na pista. A terceira e a quarta DJs que mandaram na discotecagem foram Carla Teixeira e Mary Sioux,
última “persona” cujo nome estava no convite que tive o prazer de fotografar, pois, por volta das 5 da manhã, quando esvaziei a latinha de cerveja que ganhei de minha sempre atenciosa amiga DJ, quem havia assumido de novo a “vitrola” foi a “japa”.
Onde é que foi parar as outras DJs? Será que eu estava tão entretido com a música que nem as notei na festa, na qual elas e outras estariam concorrendo a uma coletânea com dez CDs e um buquê de rosas?
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Fome de leão
Deixe-me ver o que temos hoje para comer: alface, rúcula, couve-flor, chuchu, quiabo, cenoura, beterraba, tomate, vinagrete, arroz, feijão, lasanha, carne cozida com batata, frango assado, linguiça, costela, bisteca de porco, torresmo, filé de pescada, quibe frito, coxinha, pastel, batata frita (hum, adoro frituras!). Só isso?! Não, no cardápio, há muito mais, mas sempre que, a fim de dar uma de bacana (para não dizer fugir do fogão), vou almoçar no Hikari, restaurante (e lanchonete) que se encontra ao lado do shopping center Osasco Plaza, mesmo achando que estou com fome de leão, coloco pouca comida no prato, apenas algumas colheres de arroz, feijão (não dispenso este nem se não houver aquele – como até com macarrão, pão) e um pouquinho de quase todas as opções de salada e de “mistura” lembradas acima, seja para não achar que tenho os olhos maiores do que a barriga (detesto ver alimento ir para o lixo), seja para não deixar que a conta fique salgada, acima de 20 reais, a não ser quando chamo alguém para almoçar comigo (insensível, rio quando vejo as filhas e os filhos de minha primeira irmã brigar para ir fazer-me companhia à mesa), deixando sempre a despesa para mim, afinal de contas, quem convida paga, não é? Acho que me falta moderação só na hora de beber, pois sempre peço uma garrafa – de cerveja (refrigerante e água eu tomo em casa, ou no trabalho). Talvez a esta altura os sempre sérios mas atenciosos Edison e sua esposa, Alexandra, donos do “Akira”, como sempre ouvi o estabelecimento ser chamado, estejam sentindo falta do cliente cuja mesa preferida é a de dois lugares que fica encostada à parede e antes do bufê, visto que a última vez em que eles me atenderam foi em 18 de dezembro, quando, sem se preocuparem se ficariam bem ou não na foto, me fizeram a gentileza de ficar parados diante da lente de meu telefone celular. Gosto de ir ao “Akira” desde que seu dono era outro atencioso japonês, Hikari, o qual, ao contrário do que eu imaginava, não é parente de meu xará. Quem me apresentou o restaurante foi um dos gerentes que passaram pela livraria mais freqüentada por mim em Osasco, a Book Stop. Para fazer o paciente “Akira” e sua esposa, com a qual algumas vezes costurei uma ou outra prosinha sobre moda, não irem para casa logo, geralmente aparecíamos bem na hora em que eles estavam abaixando as portas do estabelecimento, já que, não contando a hora do almoço, o começo da noite era o único momento em que o facilitador de muitas compras que fiz na mencionada livraria podia me convidar para ajudá-lo a tomar uma cerveja. Uma vez que, quando se fala em restaurante com nome japonês, logo se pensa em sushi, sashimi, sukiyaki, yakisoba, tempurá e outros famosos pratos da culinária nipônica cujo nome eu ainda vou ter de comer muito para decorar, certamente o Hikari, que fica no número 127 da rua Fiorino Beltramo (com “m” mesmo) e está aberto para almoço de segunda-feira a sábado, das 11 às 15 horas, servindo feijoada às quartas e aos sábados, não poderia deixar faltar em seu cardápio opções para quem sabe usar o hashi. Bom apetite!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Uma aluna fora de série
Afinal de contas, qual é realmente o Dia de Valentim, bispo romano que, por se recusar a parar de realizar casamentos em tempos de guerra (para o imperador Cláudio II, o Gótico, os solteiros combatiam melhor), foi preso e condenado à morte: 13, como está n’O Livro dos Santos, de Ariadne Guimarães e Ana Lúcia Prôa, ou 14 de fevereiro, conhecido em vários países do mundo como o Dia dos Namorados? Minha amiga Vanessa Nassori Martins, que completa mais um ano de vida na véspera do dia que já convenceu a todos como sendo o “Valentine’s Day”, ainda nem pensava em namorar quando a conheci, em 1976, ano em que me tornei seu colega de escola, tendo o prazer de estudar com ela da segunda à oitava, a última série do ginásio, que começava no quinto ano, fazendo todos pensarmos que, só porque iríamos passar a usar compasso, transferidor, caderno “universitário” (adeus, caderninhos encapados com plásticos), a ter educação física, artística, aulas de inglês, não éramos mais crianças. Uma das meninas mais bonitas da classe, Vanessa costumava ficar tão vermelha toda vez que seus coleguinhas mexiam com ela,
tentavam chamar-lhe a atenção, que acabou ganhando o carinhoso apelido de “Maçã”. Mas, enfeitiçado por outra colega, eu ficava mais admirado era com as notas da queridinha do corpo docente, que estavam sempre no topo, principalmente as de língua portuguesa, matéria com a qual, quando havia competição entre escolas, ela ia representar a nossa, enquanto eu era chamado para enfrentar as feras na arena da matemática. Apesar de ter estudado durante tantos anos com ela, eu só vim a me interessar em tê-la como amiga em 1982, quando já estávamos a caminho do que hoje se chama de ensino médio e à procura do primeiro emprego. Das primeiras visitas que fazia à casa da família dela, eu não passava da porta entre a sala e a pequena área, entretanto,
conforme fui conhecendo-a cada vez mais, acabei ganhando campo para falar com a mãe, o pai, o irmão, a irmã e até com os cachorros. Depois que Vanessa, cuja amizade sempre recebeu de mim uma nota tão alta quanto as que ela tirava na escola, se casou, minhas visitas à casa dela têm sido para desfrutar a atenção de
outras pessoas importantes da vida dela: o marido (quem diria que Fabio, um dos meninos que eu mais queria ver longe da garota pela qual meus olhos brilhavam, iria se casar mesmo era com a melhor aluna da classe!) e os filhos (Thiago e Mariane).
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Como o tempo passa
Você sabe com quantas semanas se faz um ano? Isso mesmo, 52. Este seria o menor número de textos publicados neste espaço em 365 dias se eu conseguisse escrever como gostaria, toda semana, uma vez que me é impossível fazê-lo todo dia, afinal, o anglicismo “log” não se traduz como diário (de bordo, sei), relativo a cada dia? Ainda bem que só depois de sete dias posto aqui um texto novo, pois acho que, se eu o fizesse antes, quem se desse (a)o trabalho de acompanhar religiosamente as “viagens” que faço quando ligo minha máquina de escrever deixaria passar batidas muitas das conversas fiadas que tento puxar com (todo) o mundo (que entende a minha língua, claro). “As time goes by.” Urano, o tempo passa tão rápido que às vezes nem sabemos em que dia estamos! Mas, por mais que a humanidade perca a noção da velocidade com que, silencioso e incontrolável, Crono vai devorando a vida (ou não seríamos mortais, não é?), Eclesiastes, um de meus oráculos na Bíblia Sagrada, diz, no capítulo 3, sobre “As vicissitudes do presente”: “Para tudo há um momento, há um tempo para cada coisa debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar a planta. Tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de se separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.”. Como se pode ver na data de cada postagem, o primeiro texto publicado aqui neste ano só chegou na quarta semana, demorando mais tempo do que eu gostaria, porém muito menos do que as pessoas que só fazem o Brasil funcionar depois do Carnaval.
PÓS-ESCRITO: Nesta data, Tamires (acho que se escreve com “e”), filha única de Cristina, irmã que até o início de 2004, eu não sabia que (realmente) existia, está completando mais um ano de vida. Muitas felicidades a minha querida sobrinha.
PÓS-ESCRITO: Nesta data, Tamires (acho que se escreve com “e”), filha única de Cristina, irmã que até o início de 2004, eu não sabia que (realmente) existia, está completando mais um ano de vida. Muitas felicidades a minha querida sobrinha.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Eu precisava mesmo
Muito dinheiro no bolso, não, mas carteira nova, sim, porque desde que perdi a minha – quem leu tudo o que escrevi aqui de setembro até a data deste texto sabe –, no banco de trás de um táxi que eu e a menina dos meus olhos pegamos, estava precisando de uma, ou, parecendo uma pessoa desleixada, iria continuar carregando a carteira de identidade (nunca saio de casa sem ela, pois sentir-me-ia nu se o fizesse), o cartão de crédito, o bancário (quando sou obrigado a usar este ou aquele) e os de ônibus e, uma vez por outra, alguns reai$. Quando minha sempre atenciosa namorada pediu que eu adivinhasse o que ela havia comprado para mim, fui logo querendo uma pista sobre o presente. Ela disse que era um objeto preto e branco e que substituía algo que eu havia tido. Com essas duas cores, a única coisa que me veio à mente foram um pufe preto e um branco que, sentindo a falta de mais assentos na casa de minha irmã mais velha, mudei de lugar, levei para ela. Ao abrir os olhos, só notei que se tratava de uma indispensável carteira quando puxei o laço da caprichada embalagem e “vi” com minhas próprias mãos, ficando impressionado não só com a forma como a carteira foi feita (toda de dobradura de tecido), mas também com sua grande quantidade de divisões (mais de uma dezena), uma delas especialmente para dinheiro (mas só de papel), quatro para cartões e seis (três à esquerda e três à direita) para documentos (no meu caso, só a identidade), desde que o dono (ou a dona) da carteira não se importe de deixar uma pontinha do documento para fora, já que, a meu ver, por mais que a responsável pela confecção da estilosa carteira, Thaís Kato, que também faz outros origamis em tecido (como porta-moedas, porta-cartões, marcador de livro etc.), tenha se desdobrado para seu trabalho ser tão
útil quanto agradável, acabou deixando o tamanho da carteira ficar um centímetro a desejar. Porém esta pequena diferença não passou de detalhe, pois a satisfação com a qual recebi a carteira, que espero usar até ficar bem encardida, ficou na cara quando à menina dos meus olhos eu disse: “Muito obrigado pelo presente, amor, eu precisava mesmo.”.terça-feira, 25 de janeiro de 2011
São Paulo, meu amor
Como diz o bem-humorado grupo paulistano Premeditando o Breque (hoje só Premê) em São Paulo, São Paulo, música que é uma resposta a New York, New York, canção esta popularizada por Frank Sinatra, é sempre lindo andar na cidade de São Paulo, principalmente em feriados, como neste 25 de janeiro de 2011, data em que a SP que está no coração dos paulistanos, dos paulistas, dos povos de todos os cantos do Brasil e do mundo comemora 457 anos, cada dia mais moderna, bonita, rica, populosa, cosmopolita, amada. É claro que estou lembrando só do lado bom da cidade, afinal, dia de festa não é para falar de coisas ruins, como enchentes, caos no trânsito, desemprego, falta de moradia, de segurança, de meios de transporte, de escolas, de hospitais etc. (tudo bom e público, pelo amor de Deus). Quando eu cheguei por aqui, em meados dos anos 70, nada entendi, porque, vindo de uma pequena e meio apagada cidade do mesmo estado do autor de Sampa, nunca tinha visto tanta luz na minha vida, meu Deus, quantas lâmpadas! Eu nem sonhava em um dia desembarcar nesta Pauliceia Desvairada quando, toda vez que via um “jato” riscar o céu de minha terra, achava que o avião estava indo para “Sum” Paulo. Perdi-me pela cidade, foi amor à primeira vista, porque alguma coisa aconteceu em meu coração, mesmo ainda não tendo cruzado as avenidas Ipiranga e São João. Mais um filho mandado a esta cidade-mãe, conheci a dura poesia concreta de suas esquinas, a deselegância discreta de suas meninas, a mais completa tradução de Rita Lee. Sim, para mim, como para tantas pessoas que foram obrigadas a sair de seus estados, países para tentar a sorte na outrora terra da garoa, foi um difícil começo, fazendo parte do povo oprimido nas filas, nas vilas, nas favelas; ficando assustado com a força da grana que
ergue e destrói coisas belas. São Paulo está para mim, um “estrangeiro” da Bahia, assim como Nova Iorque (Londres, Paris, Tóquio, entre tantas outras cidades encantadoras do mundo), talvez esteja para você. O clima engana, a vida é grana, mas gosto da japosesa loura, da nordestina moura, das gatinhas punk, das góticas, das meninas descoladas, poderosas. Sempre morando em Osasco, cidade vizinha da capital paulista, não conheço São Paulo como a palma de minha mão, mas pelo menos uma vez já estive em Freguesia do Ó (ó, aqui pra vocês, sou da freguesia!), Carandiru, Vila Sônia, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi, Pari, Butantã, Brás, Belém, Bom Retiro, Barra Funda, Mooca, Lapa, Sé, Jabaquara, Pirituba, Tucuruvi, Tatuapé, Terraço Itália, Jaraguá, Viaduto do Chá. O Rio de Janeiro continua lindo, mas, para mim, São Paulo é que é a verdadeira cidade maravilhosa. Cidade perdida / Jogue as cascas pra lá / Só eu e você / E o amor louco. Obrigado, São Paulo.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Acabando como começou
Este blogue ainda não existia quando, no último dia do primeiro mês de 2010, finalizei o seguinte texto: “Ao contrário do que eu esperava, não fui trabalhar no último dia de 2009. Não porque eu tenha aproveitado o dia para me preparar para fazer (ou comprazer-me de) festa, mas para tentar escrever, nem que fosse uma linha, sobre o que guardei de ontem e sobre o que espero de amanhã, visto que, em meio ao fim de um ano e o começo de outro, é impossível para nós, pobres mortais, não olhar para o tempo feito o deus romano Jano: com uma cara voltada para o passado e outra para o futuro. Olhando para o algarismo que deixa a maioria das pessoas na dúvida de se ainda estamos na primeira década do século 21 ou já na segunda (você decide), lembro-me de que, até o presente em que me debruço sobre este texto, foram três os anos com zero que ficaram em minha memória: 1980, 1990 e 2000. Tenho a década de 80 como um divisor de águas em minha vida, uma vez que foi nessa época que entrei no turbilhão de acontecimentos que me fizeram sair da ostra em que eu, tremendo de medo de enfrentar, conhecer, o mundo, me escondia, como: a mudança para o pequeno barraco que até hoje eu, por causa dos trancos e barrancos e (ou) das idas e vindas, não consegui deixar com cara de casa; o ingresso em meu primeiro emprego com carteira assinada, graças ao interesse de minha batalhadora mãe em me levar a uma padaria que havia perto de onde ela trabalhava como empregada doméstica; a conclusão do que hoje se chamaria de ensino fundamental (aliás, os fundamentos de matemática e os de português, disciplinas de que eu sempre gostei mais, me foram bem ensinados); a morte do padrasto cujo sobrenome me orgulho de assinar; a admissão em meu segundo emprego, que, apesar de ter sido muito importante para meu desenvolvimento profissional (pelo menos foi nele que aprendi como funcionava um escritório), a contragosto, me chegou pelas mãos de uma ‘persona’ até então ‘non grata’; e o difícil reencontro entre mim e a irmã da qual eu havia sido separado quando ela ainda era bebê. Nos anos 90, aprendi que o trabalho realmente dignifica as pessoas, depois que me cansei do insignificante serviço que eu fazia no último dos escritórios pelos quais passei na segunda empresa que registrou minha carteira profissional; mudei-me de endereço pela primeira vez; descobri que poderia pagar as contas revisando textos; voltei para a casa de minha mãe; conheci meu pai, que na Bahia me apresentou uma quantidade de irmãos admiravelmente maior do que a que eu tinha em São Paulo; e vi que, ao contrário do que muitos temiam, o mundo não acabou. Graças a Deus, já que os dez anos que se seguiriam a 1999 me seriam tão marcantes quanto me foram as duas décadas anteriores, a começar por minha segunda saída do antigo endereço. Em seguida, fui surpreendido por uma irmã de cuja existência eu não tinha certeza, perdi minha mãe, o emprego no qual eu mais ganhei experiência como revisor de textos e, de uma vez por todas, regressei ao endereço que, por mais que eu deixe, sempre me chama para voltar, nem que seja para começar do zero. Janeiro chegou ao fim, mas o ano, não importa se da primeira ou da segunda década, está apenas se iniciando.”. Passados 11 meses desta ruminação, dezembro é que chega ao fim, deixando histórias que eu desejaria mais esquecer do que lembrar. Comecei o ano acabando um namoro de cujas idas e vindas já perdi a conta; no fim de junho, deixei o endereço do qual eu esperava só sair morto, ou iria correr o risco de me tornar um fratricida. Eu, hem? Nem morto! Como se não me bastasse xingar os deuses por ter sido obrigado a passar um tempo em Itapevi, cidade em cuja estação de trem eu não desembarcava desde que me havia cansado de ir ao encontro da primeira garota a ter seu nome incluído em minha lista amorosa, num sábado de julho, esqueci minha carteira no banco de trás de um táxi que eu e minha namorada (imagine quem) havíamos pegado, perdendo cartões bancários (inclusive de crédito), RG, CNH, CPF, duas valiosas fotos, mais de duas dezenas de reais e alguns papéis sem nenhum valor. Em agosto, quando, na iminência de alugar uma casa para morar comigo, a menina dos meus olhos quase me fez acreditar que há males que vêm para o bem, encarei mais um hiato em nosso namoro, só voltando a encontrá-la em 12-12-2010, data em que a garota que conheci depois de uma reportagem do caderno Folhateen, da Folha de S. Paulo, e eu completamos três anos de relacionamento além da amizade. Mas acho que minha falta de comunicação ao longo da maior parte do ano não frustrou tanto a mulher que mais me declarou amor (uau!) quanto a que ela sentiu perto da data natalina, quando, por causa do caos em que o sistema telefônico na Bahia se encontrava desde o dia, se não me engano, 21, não pude falar com ela, nem recorrendo a pelo menos cinco orelhões – quase todos quebrados – de Nova Canaã, pequena cidade em que só consegui (sinal para) colocar crédito em meu telefone móvel no dia 27, de partida para Itapetinga, onde até que enfim consegui não só ligar para minha namorada, como saber que, se eu quisesse conectar minha máquina de escrever à rede, teria de ir a uma casa de acesso internético, pois a operadora de cujo serviço me utilizo não funciona em minha terra. Se eu tivesse sido informado antes de embarcar de São Paulo, teria viajado com menos peso na bagagem. É, do jeito como ultimamente as bruxas têm andado à solta para o meu lado, acho melhor nem esperar 2020. Até já fui aconselhado a me benzer, orar, mas para que, se, quanto mais rezo, mais assombração me aparece? Feliz 2011.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Adivinhe quem vem para jantar
Um dos capítulos de que mais gostei do recém-lido Manual do Frila: O Jornalista fora da Redação, de Maurício Oliveira, que mora em Florianópolis e trabalha para algumas das publicações mais importantes deste país (como Exame, Superinteressante, VIP, Valor Econômico e O Estado de S. Paulo), diz: “Se você é freelancer, pode ser que nenhum vizinho o tenha chamado abertamente de desocupado ou algo do gênero, mas pode ter certeza de que pelas costas os comentários são maldosos.”. Embora eu não sobreviva escrevendo textos (só reviso), concordo com a declaração do jornalista, pois toda vez que fico em casa tenho a sensação de que alguém não está me vendo com bons olhos, como aconteceu na semana passada, em que só fui trabalhar na sexta-feira, dia em que a semana já está chegando ao fim.
Preferindo relaxar a ficar pensando nos dias em que me havia sentido inútil, na própria sexta-feira, atrevi-me a mandar a seguinte mensagem para minha ex-colega de trabalho Luciana Lima: “Cara Lulu (assim mesmo, para você se lembrar da cantora do filme Ao ‘Maestro’ com Carinho, que já vi escrito com vírgula, ou, se preferir, daquela fofa personagem dos quadrinhos), sabe aquele seu convite ‘individual e intransferível’ para ir a seu lar, doce lar? Eu gostaria de confirmá-lo para este sábado, quando estarei a caminho de uma festa no centro da capital. Isso mesmo, ‘moi’, euzinho gostaria que aquele jantar para o qual há muito tempo você me convidou fosse servido ainda neste ano, a duas semanas de minha viagem para a Bahia, onde vou passar as festas de fim de ano com meu pai. Se esta resposta não lhe chegou em boa hora, por favor, sinta-se à vontade para adiar minha visita.”, que, tão logo tenha lido minha inesperada comunicação, escreveu: “Oba, que ótimo, meu caro Barbosa! =). Está marcado. Qual horário é melhor para você?”.
Combinei aportar no endereço de Luciana até às 20 horas, mas, com a desculpa de que o cobrador havia se esquecido de me informar o ponto em que eu deveria descer (bem em frente ao prédio onde a dona do blogue Negócio de Menino mora), acabei chegando uma hora depois. Atrasado ou não, encontrei “ma chère amie Lu” (certo, senhora revisora?) ainda na cozinha, dando as últimas mexidas no estrogonofe e preparando uma salada. Filipe (não sei se o nome do “namorido” de minha anfitriã é com “i” mesmo, justificado no étimo “philos” – amigo) foi quem me recebeu à porta.
Enquanto eu enrolava para acabar com a primeira cerveja, fui convidado a conhecer os outros cômodos do apartamento, tendo ficado bastante espantado quando o casal me mostrou o box, que se encontra atrás da parede esquerda do banheiro e da direita do quarto, ou seja, abrindo-se a porta do lugar onde ficam a pia e o vaso sanitário, esconde-se o compartimento onde fica o chuveiro. Porém não adiantou a fã do repórter com cara de garoto das histórias em quadrinhos Tintin, personagem criada pelo belga Georges Remi, mais conhecido como Hergé, fazer suspense para abrir a porta do escritório, porque, mesmo que aquele pequeno cômodo estivesse desorganizado, eu iria dizer que o lugar onde se empilham ou se enfileiram livros, gibis, CDs etc. é o meu templo.
Sentindo-me em casa, pedi ao dono de boa parte do admirável acervo musical que tocasse Don’t Panic, minha favorita de Coldplay, Theresa’s Sound World, de Sonic Youth, e Teorema, de Legião Urbana, cujo primeiro álbum coloco em cima de todos os outros da banda, principalmente por causa das clássicas A Dança, Ainda É Cedo, Geração Coca-Cola, Soldados e, é claro, o título que escolhi para ouvir (Não vá embora / Fique um pouco mais...).
Até que eu gostaria, entretanto, quando notei a cara de sono de alguém, não tive dúvida de que já estava na hora de puxar o carro. Ainda bem que, mais gentil do que eu esperava, o também fã do Pixies me deixou a uma esquina da rua da festa, senão, à uma da madrugada, eu iria me ferrar, escolhendo entre pagar um táxi e passar a noite na estação do metrô (Barra Funda). Quando entrei no Club Ego, onde uma das 15 bandas cover mais votadas no sítio GothtzNewz, dedicado à música gótica, seria escolhida, pelo público, para receber o troféu Morcego de Ouro, Bonjour Madame já estava na metade de Dia Eterno, música de Violeta de Outono, tocando depois, não necessariamente nesta ordem, Here Comes Your Man (Pixies), Incubus Succubus (Xmal Deutschland), 51st State (New Model Army), Bela Lugosi’s Dead (Bauhaus) e outras que não consegui gravar na memória.
Após assistir à apresentação de Kitty Kat, Paulo Chiara, Daniel “O Pala” e Yker Buruaga, encostei-me num sofá longe do palco, visto que o som das bandas que iriam tocar madrugada adentro me era muito pesado, obscuro (até porque eu não conhecia nenhuma). Confesso que, se eu não tivesse prometido a minha querida Samantha que iria buscar as bolsinhas que ela me vendeu, as quais, como era de esperar, agradaram muito às donas que as ganharam, teria me despedido de minha colega assim que tomei a segunda cerveja.
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